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Estratégia

Cardápio próprio vs marketplace: comparativo honesto (com prós e contras dos dois)

Marketplace traz tráfego mas cobra caro por ele. Canal próprio cobra menos mas exige você atrair cliente. A escolha não é binária — é de mistura.

Quem só vende em marketplace está pagando muito caro pelo tráfego. Quem só vende em canal próprio está abrindo mão de tráfego que poderia escalar mais rápido. A pergunta certa não é "qual escolher" — é "qual proporção".

Vamos comparar nas dimensões que importam.

Tabela completa

DimensãoMarketplace (iFood/Rappi)Cardápio próprio
Custo por pedido25-40% (comissão + pagamento + mídia)0-3% (só taxa de pagamento se usar)
Aquisição de clienteApp traz tráfego prontoVocê precisa atrair
Tempo para primeiro pedidoHorasDias a semanas (depende da base)
Dado do clienteVocê não tem (nome, telefone, e-mail)Você é dono da base
Possibilidade de fidelizaçãoLimitada — cliente é do appTotal — você fala direto
Controle de cardápioSubmetido a aprovaçãoMudança imediata
Cupom obrigatórioSim (em campanhas)Você decide
Avaliação públicaPode quebrar negócio em 1 mêsVocê gere
Funciona se app cair?NãoSim
Suporte ao clienteApp mediaVocê responde

Onde marketplace ainda ganha

  • Cliente novo na cidade ou no bairro. O app é praticamente sinônimo de "comida no celular". Pra novo cliente que ainda não te conhece, marketplace continua sendo a porta de entrada mais barata.
  • Aluguel de loja física é caro. Operação 100% delivery sem rota de tráfego depende de marketplace para sobreviver os primeiros meses.
  • Pico de fim de semana. Sexta às 20h, marketplace traz volume que canal próprio em fase de construção ainda não traz.

Onde canal próprio vence — sempre

  • Cliente recorrente. Quem já comprou de você uma vez, com experiência razoável, não precisa do marketplace pra voltar. Toda compra recorrente que passa pelo app é um custo de 25-40% que você está pagando para nada.
  • Margem em itens com ticket alto. Em pedidos de R$ 80+, a comissão sozinha já come o lucro. Em canal próprio, esse pedido é praticamente lucro líquido.
  • Promoção real. No app, "15% off" muitas vezes é cupom forçado pelo plano e sai do seu bolso, não do app. Em canal próprio, promoção é decisão sua e o desconto chega no cliente.
  • Comunicação direta. Lançou novo item? No app você manda foto e espera categorização. No canal próprio você manda WhatsApp pra base e tem retorno em horas.

A estratégia que mais funciona: 70/30 invertido

A maioria dos restaurantes começa em 100% marketplace. O objetivo razoável de médio prazo (6-12 meses) é virar a chave para algo como:

  • 30-50% marketplace (aquisição de cliente novo)
  • 50-70% canal próprio (recorrência + ticket alto)

Esse desenho preserva o tráfego do app e captura a margem da recorrência.

Como migrar sem perder pedido

  1. Mantenha o iFood ligado durante toda a migração — não cancele nada antes da hora.
  2. Coloque o link do canal próprio na embalagem de todo pedido do iFood (adesivo simples com QR Code + "10% off no próximo pedido se vier direto").
  3. Recompense quem vier direto com fidelidade real (ex: a cada 5 pedidos, um item grátis). Marketplace não permite isso.
  4. Quando o canal próprio passar de 30% do faturamento, comece a reduzir investimento em mídia do iFood (não a presença, só a mídia paga).
  5. Quando passar de 50%, considere desligar o plano pago (Entrega Plus) e ficar só na comissão básica.

Quando vale 100% canal próprio

Existe casos. São poucos:

  • Operação com base de cliente já forte (delivery próprio que existe há 5+ anos)
  • Categoria muito nichada (gastronomia japonesa premium, vegana, kosher)
  • Região onde marketplace não atende bem (cidades pequenas, periferia mal coberta)

Em qualquer outro caso, o canal próprio é o motor de margem; o marketplace continua sendo o motor de aquisição — só que com peso muito menor do que ele tem hoje.

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